É simples: Não temos. Ninguém tem. A vida não é feita de certezas e, sim, de riscos. Uma vida feita de certezas assemelha-se mais a uma prisão construída com tijolos de dogmas. E ainda assim, não adianta, toda não-escolha já é uma escolha, já diria Jean Paul Sartre.
Terça-feira, Junho 01, 2010
Das questões que precisam se resolver
É grande o fardo do mundo adulto, de ter de fazer suas próprias escolhas e responder pela conseqüência de seus atos. Tão mais fácil não tê-las, malditas. Eis o porque os fracos sempre se escondem nas não-escolhas, sempre entregam o comando de suas vidas aos outros, ao acaso, a Deus. Mas por que? Porque sempre há o "e se". Como ter certeza que o caminho escolhido nos levará a uma paragem mais tranqüila? Como ter certeza de qual é o caminho "certo" dentre tantos caminhos?
Segunda-feira, Maio 31, 2010
Perigo: Inflamável!
Sintonia, sincronismo, destino. Não importa o nome que se deseje dar. Algumas coisas são simplesmente inevitáveis. Podemos fingir inocência, bancar o vitimizado, arrumar desculpas, pretextos, justificativas - afinal, como diria Sartre - "o inferno são os outros".
Podemos até ignorar todos os sinais que se apresentam diante de nós, alguns discretos; outros, reluzentes como grandes letreiros luminosos em letras vermelhas com fontes gigantescas, enfatizando o perigo, exortando os incautos à manter uma distância segura, mas para alguns de nós, simplesmente não funciona.
Inconseqüência? Desejo de aventura? Não sei. Algumas pessoas tão somente gostam de viver no limite, expor-se ao perigo. É a sensação indescritível da adrenalina correndo freneticamente nas veias, o arrepio na coluna, o frio na barriga. Não consigo imaginar ser humano que jamais tenha sentido algo assim. Se existe, pobre coitado, de fato ainda não viveu. Tudo é uma questão de pesar o seu medo e o seu desejo...
Sexta-feira, Outubro 10, 2008
Segunda-feira, Abril 28, 2008
ESPELHOS

É como está escrito
na palma da minha mão.
Mas ficção é como leio
a palma da minha mão.
na palma da minha mão.
Mas ficção é como leio
a palma da minha mão.
O que é isso que você vê
Quando você me vê?
Uma vez eu tive um sonho
que era apenas uma coisa
entre outras coisas.
Uma vez eu tive um sonho
em que eu estava morta
e fazia a minha autópsia.
Existem tantas Histórias
para dizer a mim mesma
que eu poderia ser,
mas não sou ainda.
Sou apenas imagens
e gestos repetidos.
Então, olhe no espelho e diga:
- O que é que você vê?
Photo: Saudek, Jan. "Hungry for your touch", 1971.
FANTASMAGORIA
se arrastam...
E eu que somente queria expectorar
E eu que somente queria expectorar
esse sentimento de não-sei-o-quê
que me assombra sem você.
que me assombra sem você.
Domingo, Março 09, 2008
Domingo, Setembro 16, 2007
Ode ao meu Rei

Que cruzes escondes, amor?
(Espinhos, em rosas, que hei de tirar...)
(Espinhos, em rosas, que hei de tirar...)
Que caminhos percorre a tua alma?
(Para que a minha possa te encontrar...)
Quantos brasões carrega o meu rei?
(O Senhor, que deixou meu coração em brasa...)
Que bandeiras hasteia em teus territórios?
(Lembra-te que meu corpo é tua casa...)
Quantas insígnias traz nesse peito?
(Pelo qual o meu arfa de desejo...)
Que incontáveis luas ainda espero?
(Para saciar minha sede de teus beijos...)
Quantas perguntas... E a todas calo!
Ante o seu olhar. E o simples prazer de amá-lo...
Sexta-feira, Agosto 03, 2007
O "desencantamento" ou Uma resposta para Lu
Isso aqui não passa de alguns pensamentos acerca de uma temática que me foi colocada. Não pretendo ter razão, embora minhas afirmações pareçam estar muito cheias de sua própria verdade. Pretendo fazer algumas considerações sobre o "desencantamento" do "príncipe encantado".
O princípio é a negação. Mas não basta assassinarmos as princesas, negarmos os nossos sonhos, sonhos que nos foi cuidadosa e subliminarmente inculcados através de séculos de uma cultura machista alimentada por nós mulheres, na medida em que perpetuamos ritos medievais de dominação como o casamento, no qual somos entregues das mãos do pai à custódia do marido; nas historinhas de ninar que contamos para nossos filhos; na diferenciação cultural marcada por uma moralidade lassa e permissiva aos filhos homens e cheia de tabus para as filhas mulheres, subjacentes em discursos como; "prendam a sua cabrita, que o meu bode está solto". O princípio é a negação.
Não quero dizer com isso que devemos empunhar bandeiras e proferir palavras de ordem, queimando soutiens em praça pública. Mesmo porque, acredito, homens e mulheres são diferentes. E devem ser tratados de forma diferente, naquilo que têm de essencialmente diferentes. Da mesma forma, devem ser tratados de forma igual naquilo em que devem ser iguais. E nesse ponto ressalvo a questão do respeito.
Não somos objetos para sermos custodiadas e isso quase não existe mais. Mas havia um discurso subjacente ao rito do casamento: o ideal idílico do sonho de fada. No casamento, toda mulher pode ter o seu dia de princesa. E qual o problema em casar? Nenhum! Casamentos são lindos e românticos! O problema é que, na maioria das vezes, quando começamos a nos envolver afetivamente com um homem já o vemos como o "príncipe encantado" que nos levará ao altar.
Comumente, ele não é um príncipe, mas um sapo. E antes que a ala masculina comece a berrar, eu pergunto: que mal há em ser um sapo? Eu poderia usar qualquer outra metáfora, mas já que estamos usando os contos de fada, o sapo é o personagem que melhor representa a "humanidade" do homem normal, não-encantado, num universo fantasioso onde tudo é mágico.
Então surge a pergunta: assassinadas as princesas, o que fazer com o "encantado"? Ora, assassiná-lo também. Se matamos as princesas e mantemos vivos os príncipes e as fadas madrinhas, mantemos o vínculo com toda a fantasia que nos impossibilita viver um história real e saudável. E nos refugiamos nas fantasias novelísticas, romanescas ou cinematográficas cada vez que a vida não imita nossos sonhos.
Chegamos à parte positiva. Um fabuloso dizer "SIM". Um maravilhoso "desencantar". Alguns românticos podem me perguntar o que de maravilhoso pode haver nisso? E eu respondo: Maravilhoso é ser saudável. Ao sairmos do mundo da fantasia e "desencantarmos" nossos arquétipos ideais, estamos nos permitindo encarar a vida como ela é, embora ela não precisa ser nelsonrodrigueana. Mas às vezes é. E daí? Fugimos para a fantasia novamente? Não acho que é bem por aí...
De qualquer forma, enquanto esperamos encantados, criamos expectativas. É um peso pra gente, mas é um peso para eles também. Qualquer um quer ser gostado com seus defeitos peculiares, ser ter q bancar o herói romântico o tempo todo. Tudo bem, a grande maioria dos homens não chegam a essa complexidade de pensamento, mas reagem assim à pressão, tão logo começam as nossas cobranças.
E o pior é que, as vezes com o nosso excesso de cobranças, acabamos jogando o peso de uma responsabilidade muito grande sobre um cara, que pode ser um cara legal, apenas por ele ser normal, com defeitos e virtudes... Daí afastamos o que poderia ser um bela história de amor, construída no dia a dia, com concessões e trocas, as vezes com algumas briguinhas, mas com muito diálogo, como só as histórias de amor reais podem ser...
Outro problema é que ficamos tão ansiosas, que muitas vezes não nos permitimos o tempo das coisas acontecerem e ficamos com o primeiro babaca que nos arrota palavras bonitas, que aos poucos se revelam torpes. Temos que cuidar de nós. Nos amar de verdade. Só quando conseguirmos nos sentir felizes sem esperar nada ou ninguém, aí sim estaremos prontas para viver uma relação plena onde tudo é soma. Uma relação onde não há necessidades. Onde cada um possa ser "uma taça que quer transbordar"...
Um brinde!
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